terça-feira, 22 de dezembro de 2009

ALL anuncia investimentos


MARIANNA PERES
Da Editoria - Diário de Cuiabá

A América Latina Logística (ALL) anunciou que deu início aos preparativos para o transporte da safra 09/10. Os investimentos, avaliados em R$ 100 milhões, tiveram início no terceiro trimestre e contemplam aumento na capacidade de ativos, melhorias tecnológicas, incrementos em via permanente e adequação das linhas e infra-estrutura em terminais de Alto Araguaia (415 quilômetros ao sul de Cuiabá) e Santos (SP).

Durante a safra, que tem seu pico a partir de fevereiro, devem ser movimentados diariamente 580 vagões em Santos e 436 vagões em Alto Araguaia. Porém, em Mato Grosso, maior produtor de soja do país, os trabalhos no campo são retomados antes da virada do ano com a colheita da soja precoce. Para a atual temporada a expectativa é de que o Estado registre a maior safra da história ao superar 18,6 milhões de toneladas, volume que, se confirmado, será 3,8% superior à temporada passada.

“Para garantir uma produção nacional 12% maior, o plano 2010 traz investimentos expressivos nas pontas, com maior foco na carga e descarga. Desse modo, conseguiremos aumentar a eficiência da operação como um todo”, afirma Alexandre Zanelatto, diretor de Operações da ALL.

Para possibilitar aumento de volume e ganhos de produtividade, as linhas do Terminal de Alto Araguaia terão seu layout readequado. Será também construído um tombador, aumentando a capacidade de recepção da mercadoria. “Serão ao todo, quatro tombadores e uma moega, permitindo a descarga de até 35 caminhões por hora”.

Também está prevista a construção de uma tulha e reforma de outra já existente, aumentando a capacidade de carregamento de 17 para 30 vagões por hora.

Em Santos, a ALL deve remodelar toda a linha principal da margem direita, além de realizar melhorias e aumento de capacidade nos terminais Copersucar, corredor de exportação e Terminal 39.

INÉDITO - Pela primeira vez em sua história, a ALL comprou locomotivas novas, ao invés de importar máquinas usadas dos Estados Unidos para serem reformadas no Brasil. Produzidas na fábrica da GE, em Contagem (MG), ampliam em 86% a capacidade de tração, o que viabilizará algumas vantagens operacionais, entre elas transportar com uma única locomotiva o trem de 8 mil toneladas, que segue de Alto Araguaia a Santos.

A empresa também está trabalhando na transformação de 450 vagões HFS para aumento de capacidade de 103 para 118 toneladas brutas. Outro destaque é a aquisição de 8 mil toneladas de trilhos novos, dos quais 7 mil serão aplicados na Bitola Larga e o restante na via de Bitola Métrica.

MATO GROSSO – Em Mato Grosso a ALL detém a concessão da ferrovia Senador Vicente Vuolo. O projeto da ferrovia, em andamento, prevê, em uma primeira etapa, concluir o traçado da ferrovia de Aparecida do Tabuado (MS) até Cuiabá, passando por Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá).

As obras estão avançando no sentido Alto Araguaia-Rondonópolis. O trecho entre Alto Araguaia e a região do Mineirinho, próximo a Itiquira, possui a licença ambiental e as obras estão acontecendo, como informa o Fórum Pró-Ferrovia. O recurso para o trecho do Mineirinho a Rondonópolis está garantido, faltando somente a liberação do estudo ambiental de Rondonópolis a Cuiabá.

Os recursos para construção da ferrovia até Rondonópolis foram disponibilizados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), por meio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em um aporte de R$ 750 milhões para o trecho, com 260 quilômetros de extensão. (Com assessoria)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Trecho em MT é apontado como um dos sete mais importantes


NAÍLA ALBUQUERQUE
Da Reportagem/DR

A construção dos trilhos da ferrovia Senador Vicente Vuolo entre Alto Araguaia e Rondonópolis, na região sul de Mato Grosso, é apontada na 3ª edição da Pesquisa CNT Ferrovias, feita pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), como uma das prioridades na expansão no modal ferroviário brasileiro. A previsão, segundo informações passadas pelo Fórum Pró-Ferrovia, é de que o terminal de Rondonópolis seja inaugurado até dezembro de 2010.

Além dos trilhos entre Alto Araguaia e Rondonópolis, a CNT apontou como solução para resolver os entraves na malha ferroviária brasileira o investimento em sete outros trechos: Inocência-Água Clara (MS), Nova Transnordestina, Ferrovia Oeste-Leste (BA), Variante Ferroviária Litorânea Sul (ES), ampliação da malha de Santa Catarina, e construção do segmento Aguiarnópolis-Palmas (TO).

Relatório da pesquisa da CNT, elaborado a partir do levantamento da malha brasileira, apontou que o governo federal tem investido na expansão do sistema ferroviário, para melhorar a eficiência da infraestrutura de transporte, como é o caso do trecho citado em Mato Grosso. Mesmo assim, esta expansão ainda é considerada um desafio, assim como a melhoria da infraestrutura dos trechos já existentes.

O projeto da ferrovia Senador Vuolo, em andamento, prevê, em uma primeira etapa, concluir o traçado da ferrovia de Aparecida do Tabuado (MS) até Cuiabá, passando por Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá).

As obras, segundo o presidente do Fórum Pró-ferrovia, Francisco Vuolo, já estão avançando no sentido Alto Araguaia-Rondonópolis. “O trecho entre Alto Araguaia e a região do Mineirinho, próximo a Itiquira, possui a licença ambiental e as obras estão acontecendo. O recurso para o trecho do Mineirinho a Rondonópolis já está garantido, faltando somente a liberação do estudo ambiental de Rondonópolis a Cuiabá”, informou Vuolo.

Os recursos para construção da ferrovia até Rondonópolis foram disponibilizados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), por meio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo aponta o relatório da pesquisa feita pela CNT, trata-se de um aporte de R$ 750 milhões para o trecho, com 260 quilômetros de extensão.

“Essa malha é muito importante para o Estado e quanto mais ela interiorizar o valor do frete diminuirá. A ferrovia é um modal de transporte que atende meia e longa distâncias, pois quanto maior a quilometragem menor será o custo para o contratante”, descreveu o presidente do Fórum. A estimativa de economia é de 40% a 60% em relação ao custo do transporte rodoviário.

Francisco Vuolo ressaltou que a chegada da ferrovia até Alto Araguaia já provocou diminuição no preço do frete na safra deste ano. “Com os trilhos mais próximos, manteve-se um equilíbrio no valor do frete rodoviário devido à concorrência, já que a ferrovia também escoa a produção ao porto de Santos”, explicou. Cerca de 20% de toda mercadoria escoada pelo porto de Santos é proveniente da ferrovia Senador Vuolo.

INVESTIMENTOS – Para atender às demandas prioritárias apontadas pela pesquisa da CNT é necessário um aporte na ordem de R$ 25,8 bilhões, dos quais R$ 8,1 bilhões seriam para solução de entraves e R$ 17,7 bilhões, para expansão da malha dos projetos mais importantes (o que inclui a ferrovia Senador Vicente Vuolo). Atingir esta meta demandaria R$ 54,5 bilhões nos próximos 20 anos. A pesquisa foi divulgada esta semana.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Obra pode ir pro PAC

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem - Diário de Cuiabá

Uma grande comitiva de empresários e políticos, sob a coordenação do Fórum Pró-Ferrovia, irá neste mês de novembro a Brasília para solicitar, ao Ministério dos Transportes e à Casa Civil da Presidência, a inclusão das obras da ferrovia Senador Vuolo no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no trecho entre Rondonópolis e Cuiabá.

Para esse trecho, de 210 quilômetros de trilhos, serão necessários aproximadamente investimentos de R$ 700 milhões. Atualmente, já está autorizada a inclusão do trecho Alto Araguaia-Mineirinho-Rondonópolis também de 210 quilômetros e custo estimado de R$ 700 milhões. As obras estão em andamento.

As obras que já estiveram paralisadas por seis anos, foram retomadas pela América Latina Logística (ALL) – concessionária da via – no dia 21 de julho. Depois de concentrar esforços na limpeza de valas assoreadas, recuperação de erosões de pequenas dimensões, limpeza de canais de descarga de bueiros e de sarjetas de plataforma, os trabalhos focam a terraplanagem do trecho que sai de Alto Araguaia em direção a Mineirinho. Além de Brasília, o Fórum confirmou, em data a ser agendada, que fará uma visita até o canteiro de obras para ter dimensão dos avanços, após mais de três meses de retomada.

Segundo o coordenador do Fórum, Francisco Vuolo, para o trecho entre Alto Araguaia e Rondonópolis, há necessidade de estudo de impacto ambiental da obra. “O estudo que está sendo feito atualmente contempla o trecho até Mineirinho, numa extensão de aproximadamente 150 quilômetros. Precisamos de autorização para a realização dos estudos complementares até Rondonópolis”, frisou Vuolo.

A expectativa é concluir o trecho Alto Araguaia-Mineirinho em julho de 2010 e chegar com os trilhos a Rondonópolis até o final de 2010 para que a safra 2010/11 seja transportada via trilhos. “Temos um planejamento para o funcionamento da ferrovia até Cuiabá e precisamos trabalhar para que as obras não sofram interrupção em nenhum dos trechos antes de chegar à Capital”, afirmou.

Os trilhos virão a Cuiabá pela região sul do Estado, passando entre a Serra de São Vicente e o Pantanal. Os estudos ambientais para esse trecho também não foram elaborados, o que deverá ocorrer no início do próximo ano. A previsão é de que a ferrovia chegue a Cuiabá em 2014, junto com a Copa do Mundo.

De Cuiabá, a ferrovia deverá avançar rumo a Santarém (PA) e depois a Porto Velho (RO), totalizando uma malha de cinco mil quilômetros. “O objetivo é promover a integração regional e inserir a região Centro-Oeste dentro de um ciclo de competitividade mais forte”, disse o coordenador do Fórum. Segundo ele, o objetivo final do projeto ferroviário é assegurar a ligação bioceânica até ao Pacífico, num total de sete mil quilômetros.

INVESTIMENTOS – Até agora foram investidos cerca de R$ 1,6 bilhão na construção de 500 quilômetros de trilhos desde a divisa com São Paulo, em Aparecida do Taboado, até Alto Araguaia. Foram construídos também quatro terminais ferroviários - em Inocência e Chapadão do Sul (MS), e Alto Taquari e Alto Araguaia (MT) - além da ponte rodoferroviária sobre o rio Paraná, interligando Mato Grosso a São Paulo.

Para a ferrovia chegar até Cuiabá são necessários mais R$ 1,4 bilhão em investimentos. Na avaliação do coordenador do Fórum, Francisco Vuolo, a extensão dos trilhos da ferrovia Norte-Sul até Mato Grosso será muito importante, pois além de dar mais uma opção de transporte, promoverá a integração ferroviária das regiões brasileiras.

“Esta integração será o grande agente uniformizador do crescimento autossustentável do país, na medida em que possibilitará a ocupação econômica e social do cerrado brasileiro - com uma área de aproximadamente 1,8 milhão de quilômetros quadrados, correspondendo a 21,84% da área territorial do país, onde vivem 15,51% da população brasileira - ao oferecer uma logística adequada à concretização do potencial de desenvolvimento dessa região, fortalecendo a infra-estrutura de transporte necessária ao escoamento da sua produção agropecuária e agro-industrial”, destaca. Na avaliação de Vuolo, a ferrovia será a redenção econômica de Mato Grosso e marcará um novo ciclo de crescimento para o Estado.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Deputado reivindica inclusão de ferrovia


Téo Meneses
Da Redação - Jornal A Gazeta
21/10/09

O deputado federal Welington Fagundes (PR) vai defender hoje, junto ao ministro Alfredo Nascimento (Transportes), a inclusão da Ferronorte no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Essa pode ser a única alternativa para garantir que os trilhos cheguem a Rondonópolis e depois a Cuiabá.

A proposta é umas das principais bandeiras dos defensores da Ferronorte, já que 2010 é o último ano do governo Lula e o futuro da ferrovia pode não estar garantido sem a inclusão da obra no PAC. A defesa é feita pelo vereador por Cuiabá e presidente do Fórum Pró-Ferrovia, Francisco Vuolo (PR), articulador do projeto que vai ser levado ao ministro.

"Temos que garantir até o mês de junho do ano que vem a inclusão da ferrovia no PAC, pois essa pode ser a única forma de garantir que ela chegue em Cuiabá. Se isso não acontecer, não teremos certeza se um dia esse sonho via se tornar realidade", afirma o vereador que é filho do idealizador da ferrovia, ex-senador Vicente Vuolo.

A Ferronorte é hoje propriedade da América Latina Logística (ALL), mas a falta de destinação de recursos levou alguns congressistas a discutirem até uma Parceria Público Privada (PPP) com o Governo Federal para garantir a conclusão da obra.

A Ferronorte vem gerando muita expectativa desde que foi planejada. Há propostas para ramificação do trajeto até Lucas do Rio Verde (a 360 km Cuiabá), Chapada dos Guimarães (a 60 km). Atualmente, faltam cerca de 250 km para chegar ao município de Rondonópolis, ou seja, está a cerca de 500 km distante de Cuiabá.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Ferrovia atrai investimentos a MT


Fabiana Reis
Da Redação - Jornal A Gazeta

Com investimentos milionários, a cidade de Alto Taquari, localizada a 450 km de Cuiabá, tem a história do seu desenvolvimento dividida entre antes e depois da chegada dos trilhos da Ferronorte. A implantação do modal ferroviário, juntamente com o terminal em 1999, trouxe consigo outros empreendimentos, atraídos pela facilidade do transporte de produtos. O que antes era restrito aos grãos (soja, farelo e milho), agora disputa espaço com outras mercadorias, entre elas refrigerados e combustíveis.

Administrada pela América Latina Logística (ALL), a ferrovia e o terminal congregam atualmente vários empreendimentos, fazendo com que a cidade cresça e figure como o mais importante ponto de embarque e desembarque de mercadorias de Mato Grosso. Mas os investimentos não param por aí. O secretário de Indústria, Comércio e Turismo da cidade, Erocy Antônio Scaini, adianta que outros grandes projetos por causa do terminal estão por vir, entre eles o transporte de algodão em pluma destinado à exportação e o carvão ecológico, produzido a partir da biomassa do algodão e que também será direcionado ao mercado externo.

"O projeto para o embarque de pluma de algodão está na fase de estudo de viabilidade realizado por uma empresa de São Paulo. Tudo está caminhando para que dê certo, assim como o carvão, que será um projeto pioneiro em Mato Grosso", afirma o secretário ao completar que para 2010 já está sendo aguardada a operação da Companhia Brasileira de Energia Renovável (Brenco), cujo projeto inclui 1,5 milhão de toneladas de cana-de-açúcar para produção 280 milhões de litros de etanol e também um poliduto para transportar o combustível. Os empregos gerados são estimados em 1,8 mil diretos e 3,5 mil indiretos.

Antes da chegada dos trilhos, Alto Taquari tinha a economia voltada para o setor primário, com a produção de soja, milho e algodão. Com a implantação da ferrovia, a cidade passou para a segunda fase econômica, com a atração de novos empreendimentos que agregam valor ao produto gerando emprego e renda ao município. Com uma população de 10 mil habitantes, o município recebe outras 4 mil pessoas mensalmente, a trabalho, em função do terminal rodoferroviário, a exemplo dos caminhoneiros.

IDH- Uma prova de que a ferrovia trouxe desenvolvimento para a cidade é o Índice de Desenvolvimento Humano(IDH). Calculado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, o Índice Firjan mostra que Alto Taquari tem o oitavo maior índice entre as cidades mato-grossenses, com 0,7109, em uma escala que varia de zero a 1. Está atrás, na ordem, de Lucas do Rio Verde, (0,7939), Cuiabá (0,7653), Nova Mutum (0,7605), Rio Branco (0,7584), Alto Garças (0,7555), Araputanga (0,7533) e Indiavaí (0,7149). E à frente de Sorriso (0,7021) e Tangará da Serra (0,7005), que ocupam respectivamente, o nono e o décimo lugar no ranking estadual. O índice é referente ao ano de 2006.

"A chegada da ferrovia transformou a economia de Alto Taquari. E a localização da cidade é privilegiada. Está distante cerca de 500 km de três Capitais: Cuiabá. Campo Grande e Goiânia, além de fazer divisa com três Estados, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás", diz Scaini ao completar que de 2000 a 2008, 50% da receita do município foi oriunda da ferrovia.

Já o prefeito Maurício de Sá (DEM-MT), no primeiro mandato, pretende continuar o ritmo de desenvolvimento que a cidade vem apresentando. Ele diz que tenta junto ao governo do Estado obras para melhorar a infraestrutura, que não acompanhou desenvolvimento econômico da cidade. "Precisamos de projetos de habitação, escolas, hospitais e outros para garantir melhor qualidade de vida à população". No que diz respeito ao futuro de Alto Taquari, Sá diz prever que será de constante crescimento, porém não sabe mensurar de quanto ele será. .

Empreendimentos - Nos últimos 10 anos, Alto Taquari recebeu uma série de empreendimentos. O mais importante deles, que provocou os demais foi o da chegada da ferrovia e a implantação do terminal ferroviário. O superintendente de Terminais da ALL, Henrique Peterlongo, afirma que o terminal tem estrutura para operar com grãos, carga industrializada de frigorífico e combustíveis, além da carga de retorno, que geralmente é composta de fertilizantes.

Ele diz que recebe caminhões que trazem a safra mato-grossense, cuja mercadoria é colocada nos vagões com destino ao porto de Santos, e daí para as exportações. "Hoje a capacidade é de 10 mil toneladas de grãos por dia, o que chega a 300 caminhões diariamente, entre carga e descarga", conta ao afirmar que o número de toneladas nesta atividade ao mês gira entre 280 mil e 300 mil.

Com a retomada da construção da ferrovia, partindo de Alto Taquari até Rondonópolis, a ALL fará mais investimentos. Está prevista a construção de um terminal ferroviário naquela cidade também, cujo montante aportado ainda não foi definido. "Estamos fazendo um estudo para a construção do terminal, que deverá estar pronto em 2012, paralelo à operação dos trilhos", diz ao adiantar que o terminal de Alto Taquari também receberá aporte financeiro. Serão aplicados R$ 7 milhões na aquisição de equipamentos que aumentará a produtividade do terminal, ou seja, a capacidade de carga e descarga será ampliada.

"Além do investimento na estrutura operacional do terminal, a América Latina Logística melhorou a qualidade de trabalho dos motoristas. O pátio de estacionamento aumentou, assim como o número de banheiros e duchas", acrescenta Peterlongo.

Carga refrigerada - Com atividades iniciadas em julho deste ano, a Standard Logística estreou na região Centro-Oeste, com endereço no terminal ferroviário de Alto Taquari. O corredor intermodal Mato Grosso-São Paulo é um projeto inovador e foi desenvolvido em parceria com a ALL, e está fazendo o transporte de contêineres pela ferrovia até o porto de Santos. A tecnologia avançada e permite expedir cargas que exigem temperatura controlada, além de cargas secas. O corredor tem 1,1 mil km e contou com investimentos de R$ 35 milhões, aplicados na construção do novo terminal de contêineres em Alto Taquari e na construção do terminal intermodal da unidade de Cubatão (SP), que está em fase final de licenciamento e deve ser concluído até o fim de 2009. No terminal da cidade paulista os produtos poderão armazenados ou desembaraçados.

"Já começamos a operar com 600 contêineres por mês. A meta é chegar ao final do ano que vem com 3 mil contêineres mensais, movimentados entre carga frigorífica e seca", afirma o gerente Comercial da Standard, Fernando Perdigão. Ele acrescenta que trata-se de um projeto revolucionário e que irá gerar muitas vantagens tanto ao produtor quanto ao exportador. Entre elas estão a garantia de regularidade no escoamento e a segurança no transporte.

Combustíveis - Com operações programadas para o último trimestre deste ano, a Cosan Combustíveis e Lubrificantes, detentora das marcas Esso e Mobil também somará ao terminal ferroviário de Alto Taquari. Já a distribuição dos derivados está agendada para o segundo trimestre de 2010. A atividade no Estado será realizada a partir do recebimento de etanol por caminhões e que serão distribuídos por trens, com destino a São Paulo. Os dois extremos do trecho são Paulínia (SP) onde haverá o recebimento do etanol por vagões e embarque de derivados (óleo diesel e gasolina) para Mato Grosso.

A capacidade inicial de armazenamento da Cosan é de 10 milhões de litros de combustível. Detentora de 1,5 mil postos em 20 unidades da federação, a vinda a Mato Grosso foi motivada pela necessidade de atendimento a um importante mercado. Ao todo o investimento somou R$ 13 milhões.

O gerente de Desenvolvimento de Negócios da Cosan, Nilton Gabardo afirma que a companhia pretende expandir a atuação em Mato Grosso, com um aumento na capacidade de armazenamento de etanol em mais 20 milhões de litros. "A companhia pretende praticar uma política de preços bastante competitiva para seus revendedores e assim voltar a atuar fortemente no mercado".

terça-feira, 28 de julho de 2009

ALL amplia base de captação de cargas


28/07/2009 - Valor Econômico


A América Latina Logística (ALL) está ampliando os polos de captação de carga destinada à exportação, sobretudo carne frigorificada, no interior de Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul. O negócio, feito em parceria com operadores logísticos, consiste em instalar terminais intermodais que captam produtos de empresas como Sadia e Perdigão, mas também de clientes de outros setores, como papel e madeira. A carga é escoada em contêineres, via ferroviária, até os principais portos do país - Santos, Paranaguá e Rio Grande.
No momento, a ALL e diferentes operadores logísticos implantam novos terminais de contêineres para exportação em Alto Taquari (MT), Ponta Grossa e Telêmaco Borba, no Paraná, e em Cruz Alta (RS). O investimento é dos operadores. A ALL investe na compra de vagões em conjunto com eles para atender o serviços contratados pelos clientes. Na construção dos quatro terminais e na compra de 500 vagões ferroviários estão sendo investidos cerca de R$ 55 milhões, diz Sérgio Nahuz, diretor de produtos industrializados da ferrovia.
Do valor total, R$ 30 milhões correspondem a aporte dos operadores nos quatro terminais e R$ 25 milhões da ALL nos vagões, que inclui recursos dos parceiros, diz Nahuz. Em Ponta Grossa, a parceria é com a Martini Meat. Já em Telêmaco Borba, as negociações estão em andamento para atender o transporte de madeira e bobinas de papel da Klabin.
Segundo Nahuz, as cargas em contêineres transportadas pela ALL cresceram quase 50% no primeiro semestre do ano sobre o mesmo período de 2008. Foi o segmento que mais cresceu, disse. Em 2009, a empresa deverá duplicar o volume de contêineres transportados. A meta da ALL, uma ferrovia de carga geral, é transformar os contêineres em uma de suas principais cargas. Daí a importância em criar novos terminais.
Os polos ferroviários de captação de carga no interior do Brasil permitem que uma parte dos produtos migre do caminhão para o trem. O movimento pode contribuir para desafogar um pouco o fluxo de caminhões para os portos e para reduzir os preços dos fretes em relação ao tráfego rodoviário.
Os quatro novos terminais de exportação somam-se a outros quatro polos do gênero em operação há mais tempo situados em Cascavel e Cambé, no Paraná, em Paulínia (SP) e Esteio (RS). Esses quatro terminais, com exceção de Paulínia, são operados em parceria com a Standard Logística. No caso de Paulínia, o acordo é com a belga Katoen Natie. Dos quatro, o de maior fluxo é o de Cambé, que escoa mil contêineres/dia pela malha da ALL até o Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP).
Juarez Moraes e Silva, diretor-superintendente do TCP, disse que de janeiro a junho deste ano o terminal movimentou 310 mil TEUs (contêiner equivalente a 20 pés), dos quais 6,5 mil (2% do total) foram movimentados por trem. O resto foi via caminhão. É uma parcela pequena mas que está crescendo. A previsão é que até o fim de 2009 a ferrovia responda por 3% do total movimentado no TCP. O modal ferroviário desafoga o porto e reduz custos de frete, diz.
Fomos os primeiros parceiros da ALL a acreditar na ferrovia para o transportar carga frigorificada, acrescenta José Luis Demeterco Neto, presidente da Standard Logística. Ele diz que a empresa investiu cerca de R$ 70 milhões para montar os terminais dedicados à operação em parceira com a ALL, com recursos próprios e financiamentos. O contrato mais recente com a ALL foi fechado para criar um terminal em Cruz Alta, no qual deverá ser aplicado R$ 1 milhão para escoar cargas em Rio Grande.
Com início da operação prevista para o fim de agosto, o terminal de Cruz Alta irá atender clientes do noroeste do Rio Grande do Sul e extremo oeste de Santa Catarina. São cargas que hoje seguem por caminhão e poderão migrar, em parte, para a ferrovia. A Standard Logística também é parceira da ALL no terminal implantado em Alto Taquari (MT), que começou a operar na semana passada. Esse terminal cria um corredor logístico de 1,2 mil quilômetros de extensão até Santos, que passará pelos terminais de Paulínia, já operado com a Katoen Natie, e de Cubatão, da própria Standard Logística. Para que a carga chegue ao terminal de Cubatão, será construído um ramal ferroviário que ficará pronto no fim do ano.
O terminal de Alto Taquari começa a operar movimentando 600 contêineres por mês carregados com produtos frigorificados da fábrica da Sadia em Lucas do Rio Verde (MT). A meta é chegar ao fim de 2010 com o transporte de 3 mil contêineres por mês, entre carga frigorificada e seca. O foco estará no transporte de carne suína, de frango e também bovina, diz Demeterco. Segundo ele, a parceria da empresa com a ALL nos diferentes terminais permite escoar cerca de 50 mil toneladas de carnes frigorificadas por mês para a exportação, algo como 10% da média mensal embarcada pelo país para o exterior em 2008, considerando-se os três tipos de carne (suína, bovina e de frango).

terça-feira, 21 de julho de 2009

De Lucas para Santos


MARIANNA PERES
Da Editoria - Diário de Cuiabá

As exportações mato-grossenses registrarão um novo marco a partir de amanhã. Pela primeira vez cortes congelados de carne sairão do interior do Estado utilizando os trilhos da ferrovia senador Vicente Vuolo, antiga Ferronorte.
O carregamento de 28 conteinêres ‘reefer’ refrigerados com carne de frango deixa a planta da Sadia em Lucas do Rio Verde, médio norte mato-grossense, com destino ao porto de Santos. As cargas que seguiam 100% por caminhões e em geral tinham como destino o porto de Itajaí, Santa Catarina, ganham nova rota e finalmente, logística. O modal misto ‘inaugurado’ pela Sadia é o início de uma nova logística. Mato Grosso deixa de escoar apenas grãos pelos trilhos e passa a embarcar produtos industrializados, que neste primeiro momento, dá espaço aos contêineres refrigerados. “O objetivo é ampliar o mix de produtos, desde congelados a outros industrializados”, informa o assessor econômico da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), Carlos Vitor Timo Ribeiro. E completa: “Não há dúvidas de que esse primeiro embarque é um marco para logística estadual e como sempre estamos dizendo, o Mato Grosso vive sua segunda fase no processo de industrialização, transformando a proteína vegetal – os grãos – em proteína animal, por meio das exportações de carnes”.
O novo modal está sendo possível após a implantação, por parte da concessionária dos trilhos, a América Latina Logística (ALL), do primeiro terminal de contêineres no Centro Oeste, edificado em Alto Taquari (479 quilômetros ao sul de Cuiabá) que permite a movimentação ferroviária inédita de frigorificados rumo ao porto de Santos. O terminal Intermodal de Contêineres de Alto Taquari recebeu R$ 35 milhões em investimentos, fruto de parceria entre a ALL e a Standard Logística. Os primeiros 28 contêineres refrigerados são estufados na planta da Sadia, em Lucas do Rio Verde (360 quilômetros ao norte de Cuiabá), de onde seguem por caminhão até o terminal, em uma operação intermodal integrada. “Estamos lançando um modal concorrencial, capaz de reduzir o custo do frete entre 10% e 20%. Calculamos que chegaremos rapidamente a 2 mil contêineres”, afirma o presidente da Standard Logística, José Luis Demeterco Neto. Como observa Timo Ribeiro, os investimentos da ALL e da Standart, “provam que existe mercado rentável para este tipo de serviço em Mato Grosso”. SADIA – Os detalhes do embarque dos cortes não puderam ser prestados pela Sadia, em função do período pós fusão com a Perdigão. Como informou a assessoria da Sadia, em São Paulo, a nova empresa que surge desta união, a Brasil Foods, está na iminência de lançar ações no mercado, entre o final deste mês e início de agosto e por isso, o “momento é de silêncio”.
LOGÍSTICA - Com capacidade para movimentação de contêineres frigorificados e cargas secas, como algodão e couro, a estrutura possibilita, pela primeira vez, a movimentação ferroviária de contêineres do Centro-Oeste em direção ao maior porto do país. A estimativa é de quem nos primeiros três meses, o terminal atingirá um volume total de 600 contêineres/mês, podendo chegar a 3 mil contêineres/mês nos próximos anos.
Na semana passada, os 28 contêineres deixaram o porto de Santos em direção a Alto Taquari. A operação é considerada de modal misto, já que a carga segue cerca de 200 quilômetros de Lucas do Rio Verde até Alto Taquari de caminhão, modal rodoviário, até ser embarcada em vagões da ferrovia. A partir deste trecho, seguirá 900 quilômetros até Santos (SP). “Em um ano, o terminal de Alto Taquari será o maior da ALL no segmento de contêineres. A movimentação é uma das que mais crescem no setor industrial, com aumento de 26% no ano passado e crescimento previsto de 150% em 2009”, afirma o diretor de Industrializados da ALL, Sergio Nahuz. Somente este novo terminal responderá por 40% do volume total de contêineres. Atualmente, a companhia opera contêineres para os portos de Paranaguá, São Francisco e Rio Grande. Com a nova estrutura, as cargas originadas no Centro-Oeste, serão armazenadas e receberão reforço de frio no terminal de Alto Taquari, de onde seguem para Santos. Atualmente, a ALL é uma das maiores operadoras de contêineres da América Latina, com volume previsto em mais de 120 mil TEUs para 2009. O presidente em exercício da Fiemt, Jandir Milan, explica que enquanto a ferrovia não completa seu projeto original, chegando até Cuiabá, o modal misto - parte da carga transportada via rodovia e parte via estrada de ferro -, será sempre uma opção compatível quando o ponto de partida estiver a cerca de 400 quilômetros dos trilhos. “Nesta distância, há viabilidade e ganhos para o produtor, exportador e ou industrial”.
REFORÇO - Para suportar o crescimento de cargas conteinerizadas, a ALL reformará, até agosto, mais 400 vagões plataforma. “Também estão em estudo terminais em Cruz Alta (RS), Telêmaco Borba (PR), Ponta Grossa (PR) e Araraquara (SP), que dobrarão os pontos de carregamento em relação ao ano passado”, completa Nahuz. “Tradicionalmente, as ferrovias brasileiras tinham foco em commodities e minério. A ALL já vem, nos últimos anos, ampliando seu mix de produtos transportados pela ferrovia”, revela Nahuz.